A dureza da vida me ensinou a aprofundar as raízes, e agarrar-me bem às claves. Além disso, tenho ótima vergadura. Não é qualquer ventania que me desapruma. (José Maria Alves Nunes)
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quarta-feira, 1 de junho de 2011
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Missão
Confiaram a mim, soldado de verdades irrefutáveis,
indeléveis pontos de vista, e fidelidade canina,
a árdua tarefa de lhe acordar.
Bem sei de ti, adormecida, ao longo dos anos
alheia a todos os acontecimentos,
Mas hei de içar-lhe desse marasmo
usando as armas de que disponho:
meus berros, mãos-de-ferro, e sonhos.
Dedicar-me-ei à luta, feroz e inclemente,
Incansável e até, por vezes, um tanto quanto insolente,
Filho da puta.
Nos intervalos das batalhas
Há de ser me concedido um indulto
Para poder acender um cigarro,
ainda que de palha,
e me perder em pensamento observando as expirais
Até que elas se dissipem ao vento
Assim como as tuas dúvidas
quando enfim eu atingir meus ideais.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Inocência
Perdão!
Pelos palavrões, e xingamentos
que não sussurrei aos teus ouvidos
Por não ter empregado violência
pela falta de ardência,
e de imaginação.
Perdão!
Pela delicadeza dos gestos,
pela ausência de força
pela suavidade, e nada de vadiagem
Quando tudo que você queria
era que eu fosse um pouco mais selvagem
Perdão!
Pela falta de atitude
Por não ter sido rude
E por não ter percebido tudo isso antes.
Porque se assim fosse
talvez continuássemos amantes
domingo, 8 de maio de 2011
Aquele que posso ser
Os homens que se escondem atrás de mim
na escuridão,
no breu de minha inconsciência,
são diversos.
E eu sou um só, homem
nada controverso.
Ou não
tudo é tão relativo neste universo.
Seria possível ser eu o incorrigível
o intolerável, o abominável,
o depravado, o indecente
ou qualquer desses outros?
Não!
Tenho certeza.
Eu sou apenas aquele que se adequou às regras
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Peso morto
Como a um fardo
Hás de me carregar vida a fora.
Um castigo
pelo descuido que permitiu
nossos caminhos se cruzarem.
Ou julgas, porventura,
Que nosso encontro foi obra do acaso?
Não importa.
Hás de me carregar como cruz
A pesar sobre tuas costas
Sem trégua, todo tormento,
nenhum alento.
E na hora derradeira
Quando enfim seu corpo roto
Tombar inerte e frio
Vai lastimar profundamente ter vivido
A vida inteira a me levar aonde fosse
Sem, entretanto, nunca ter me possuído
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Fixação
Passa o tempo
Sopra o vento
Cai a folha.
Cai a folha.
Desgasta-se, e envelhece o invento
Mas não meu pensamento.
Até tento tirar você da memória
Viver uma nova história
Mas sempre volto ao mesmo ponto.
Passam as horas
Senhoras de si, e ignoram
A minha busca insana.
Sem nenhuma piedade
Demarcam as linhas de meu rosto
Desdenham de mim
E se repetem, impunes
Nunca envelhecem, enquanto tecem
meu fim.
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