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domingo, 31 de março de 2013


Valor relativo
(José Maria Alves Nunes)

Sob certas condições perdemos a espontaneidade
Inibimos ações, nos resguardamos.
Cada olhar - e são tantos - vem de janela diferente.
Ângulos diversos, e binóculos dispersos,
oferecem visões ampliadas, ou reduzidas,
verdadeiras, ou deturpadas; julgamentos, suposições.
Apontados; anjos somos, e demônios
Glorificados, excomungados.
Somos tanto
Tudo,
e nada somos,
talvez pobres gnomos
Personagens irreais de um mundo perverso
adverso, e vil.
Cá pra mim, no final das contas, somados os atos,
juntados os cacos,
sou mero cognato de rato, ou gato,
a depender do balaio onde caio
quando me atiram porta a fora.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013


Notívago
(José Maria Alves Nunes)

 
Anuncia-se o dia
O clarão da aurora irrompe no horizonte
Recolho-me com a lua, companheira,
que, serena, sai de cena,
e dá lugar ao sol
que vai dourar toda paisagem
até que o arrebol desperte novamente
preguiçosamente, a lua, e eu.

Relatividade
            (José Maria Alves Nunes)

 Eu sou o que de pior pode haver
Sob a ótica dos maledicentes
E a fina flor aos olhos de outra gente

Cena de cinema
                (José Maria Alves Nunes)

 
Causou grande alvoroço
aquelas duas mãos
enlaçadas ao pescoço
descendo aos quadris
em plena luz do dia
As bocas, loucas, coladas
pernas meio entrelaçadas

Cruz credo!
Ave Maria!

Nunca se vive o hoje como o ontem
exclamaram os transeuntes
estupefatos - principalmente estupefatas-
Quem diria fosse um dia
a pacata Santa Rita de Cássia,
presenciar - repito: em plena luz do dia-
essa cena de orgia!?

Cruz credo!
Ave Maria!

terça-feira, 8 de maio de 2012

Candeias da fé

Segue a lume de pavios
a procissão
Professa com fogo a fé fraturada
Os fiéis, fatigados,
à espera da fartura.
 

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Acerto

Pra terminar você me devolve esta caixa
Com alguns objetos, fotos, lembranças,
Acompanhada de um bilhete:

“eis aqui tudo que me deste.”

Entretanto, ao abrir a caixa
Percebo que você se esqueceu
de devolver, entre outras coisas,
os bons conselhos.

Corro pro espelho:
O meu melhor sorriso continua contigo
Pior ainda, de minha juventude nem vestígio
E os abraços, e beijos, onde estão?

Os anos, os planos, todos os sonhos, enfim...
Devolva-os, tenho um vazio à espera.


domingo, 6 de maio de 2012

Odisséia

No vagar das horas
entre um e outro tic-tac
com um linguajar cheio de sotaque
escrevi uma odisséia
Ela principia na renda branca da saia
de uma mulher invisível
e morre nos babados das ondas
que insistem em vestir a praia