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segunda-feira, 15 de abril de 2013


Ação e reação
(José Maria Alves Nunes)

 As atitudes colorem os acontecimentos
Esses, por sua vez, temperam a vida
Abrem sorrisos, gargalhadas...
...e inevitáveis feridas.


domingo, 7 de abril de 2013


Recado
            (José Maria Alves Nunes)

 
Respeite a minha dor
Não a meça
Se ela é minha
Só eu sei de sua intensidade
O quanto é aguda
O quanto me arde

domingo, 31 de março de 2013


Valor relativo
(José Maria Alves Nunes)

Sob certas condições perdemos a espontaneidade
Inibimos ações, nos resguardamos.
Cada olhar - e são tantos - vem de janela diferente.
Ângulos diversos, e binóculos dispersos,
oferecem visões ampliadas, ou reduzidas,
verdadeiras, ou deturpadas; julgamentos, suposições.
Apontados; anjos somos, e demônios
Glorificados, excomungados.
Somos tanto
Tudo,
e nada somos,
talvez pobres gnomos
Personagens irreais de um mundo perverso
adverso, e vil.
Cá pra mim, no final das contas, somados os atos,
juntados os cacos,
sou mero cognato de rato, ou gato,
a depender do balaio onde caio
quando me atiram porta a fora.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013


Notívago
(José Maria Alves Nunes)

 
Anuncia-se o dia
O clarão da aurora irrompe no horizonte
Recolho-me com a lua, companheira,
que, serena, sai de cena,
e dá lugar ao sol
que vai dourar toda paisagem
até que o arrebol desperte novamente
preguiçosamente, a lua, e eu.

Relatividade
            (José Maria Alves Nunes)

 Eu sou o que de pior pode haver
Sob a ótica dos maledicentes
E a fina flor aos olhos de outra gente

Cena de cinema
                (José Maria Alves Nunes)

 
Causou grande alvoroço
aquelas duas mãos
enlaçadas ao pescoço
descendo aos quadris
em plena luz do dia
As bocas, loucas, coladas
pernas meio entrelaçadas

Cruz credo!
Ave Maria!

Nunca se vive o hoje como o ontem
exclamaram os transeuntes
estupefatos - principalmente estupefatas-
Quem diria fosse um dia
a pacata Santa Rita de Cássia,
presenciar - repito: em plena luz do dia-
essa cena de orgia!?

Cruz credo!
Ave Maria!

terça-feira, 8 de maio de 2012

Candeias da fé

Segue a lume de pavios
a procissão
Professa com fogo a fé fraturada
Os fiéis, fatigados,
à espera da fartura.
 

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Acerto

Pra terminar você me devolve esta caixa
Com alguns objetos, fotos, lembranças,
Acompanhada de um bilhete:

“eis aqui tudo que me deste.”

Entretanto, ao abrir a caixa
Percebo que você se esqueceu
de devolver, entre outras coisas,
os bons conselhos.

Corro pro espelho:
O meu melhor sorriso continua contigo
Pior ainda, de minha juventude nem vestígio
E os abraços, e beijos, onde estão?

Os anos, os planos, todos os sonhos, enfim...
Devolva-os, tenho um vazio à espera.


domingo, 6 de maio de 2012

Odisséia

No vagar das horas
entre um e outro tic-tac
com um linguajar cheio de sotaque
escrevi uma odisséia
Ela principia na renda branca da saia
de uma mulher invisível
e morre nos babados das ondas
que insistem em vestir a praia
De nosso amor

Eu não saberia dizer
acaso dele você me perguntasse
Às vezes, é tumor maligno, crônico
Ferida aberta, sangrenta
Outras vezes; manso regato,
Fiapo, fraco, imperene
Que ao calor do sol se evapora
Front

Faz algum tempo estou à margem
Em paz.
Sai do campo de guerra
E nem sei se para ele volto mais.
Dei-me conta do quão estúpido
É ir pro front, lutar,
sem ao menos saber de seus ideais.

Estive pensando
Talvez a condição de ex-combatente
Me deixe mais contente
Quem sabe até consiga plantar um jardim,
Um pomar,
Ouvir passarinhos, ser poeta,
Versejar!?

quarta-feira, 18 de abril de 2012

terça-feira, 17 de abril de 2012

Quase
No correr dos anos
A gente adapta os planos
às possibilidades
Fazemos novos arcabouços                  
De sonhos que caibam nos bolsos
Depois os abortamos em nome da sanidade        
Para evitar frustrações criamos subterfúgios  
seguros refúgios para a imaginação.

quarta-feira, 21 de março de 2012

O horizonte era de um azul infindo, lindo, e eu, indo, a beber todo ele, nem percebi quando cruzei a linha de chegada. (José Maria Alves Nunes)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Meu silêncio (José Maria Alves Nunes)

O silencio que faço
é de puro espanto,
de desencanto,
e enorme desapontamento.
Sabe esse descompasso,
hora a pressa,
hora essa angustiante lentidão?
é de tristeza, incredulidade,
e decepção.
Desprezo
Que um dia,
meu corpo inerte, sob a lápide fria,
seja banquete de vermes,
os legítimos.
Enquanto vivo,
dispenso aos pretensos,
meu desprezo.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Mosaicos

(José Maria Alves Nunes)

E de repente, mais uma vez,

o coração perde o prumo

o rumo

e deixa-se levar

É o amor que, de um salto,

toma-o de assalto

o faz de gato e sapato

e depois me devolve só os pedaços

eu que me vire pra juntar os cacos.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Desnorteado

De repente
vem um anjo caído
e toca meus ombros.
Acordo
e me assombro.
Perdido entre escombros
Não acho saída.
Amor presumido

Um dia ainda saberei
Das coisas do amor.
Saberei do fogo
Do gozo
E da morte.
Por fim
Saberei se azar ou sorte
tem quem nunca o encontrou